sábado, 30 de março de 2019

MEUS FILHOS GERALDINHO E JOAOZINHO




Guarabira, 25 de março de 2019
Meu filho, GERALDINHO

        Há 36 anos e sete meses você habita outras plagas; deixou o mundo dos homens pelo mundo de Deus. Certamente é feliz na sua eternidade e não há o que discutir. Não se faz uma troca dessas à-toa. Sabemos que é preciso um chamado especial, sem o qual não se entra nos Jardins do Éden. E você desde o nascimento foi sempre especial.
        Há quem diga que 36 anos e sete meses é muito tempo para se cultuar uma saudade. Conheci uma mãe cuja filha faleceu há mais ou menos um ano. Chegou na minha casa e me encontrou chorando e, irreverente, foi logo dizendo:  essas lágrimas não são por Geraldinho, depois de tantos anos? E eu respondi: e por quem haveria de ser? E ela: pois minha filha faleceu, como você sabe, há pouco mais de um ano e só me lembro dela quando alguém fala. E eu respondi: Pois, é, há mãe e mãe.
        Mas, meu filho, o que venho lhe dizer é que o tempo não foi suficiente para apaziguar a minha dor. É o lugar na mesa; o lugar no meu carro e até bem pouco tempo o seu quarto continuava sendo seu, com os quadros que você deixou, os 400 livros da sua biblioteca, devidamente catalogados por você. Agora derrubei minha casa para abrir uma avenida – estou fazendo um loteamento – e os seus pertences estão guardados em outro lugar, só a saudade permanece no mesmo canto, o meu coração.
        Com a força da imaginação vejo você todos os dias, e acompanho os seus diálogos com Augusto dos Anjos, Álvares de Azevedo – tão jovem quanto você -, Olavo Bilac, Castro Alves, Ronaldo Cunha Lima e Osmar de Aquino, para só citar alguns.
                E é com essa mesma força que antevejo a efervescência cultural que surgiu no céu desde que você aí chegou.
            O que fará primeiro?  Uma  Semana Cultural ? A primeira feira de livros celestial? O primeiro Festival Literário do mundo de Deus? Ou a primeira Coletânea de poesias do Céu? Ah, sim, o primeiro Concurso de Poesia em homenagem ao Divino Pai Eterno, seria o mais certo.
            Depois você resolve. Há de haver tempo.
            Beijos, meu filho, com o meu amor e a minha SAUDADE.
                                                                                               Sua Mamãe Marisa





Guarabira, 27 de março de 2019

Meu filho JOÃOZINHO,

        Foi da minha barriga que você nasceu, foi do meu coração.
        Até bem pouco tempo eu dizia que se alguém colocasse o Menino Jesus de Praga na minha porta, eu colocaria na venda de Vila.
Na época eu estava muito revoltada, porque o meu outro filho tinha me trocado0 pelo mundo de Deus. Era assim que eu pensava, mas Ele é tão misericordioso que não obstante a minha revolta, resolveu me dá você. Ele viu meu coração ferido, dolorido, sofrido e foi lá, bem no centro do meu coração tirou você e colocou no meu colo. Apaixonei-me por você. Foi amor à primeira vista, não tenha dúvida. Aliás, nunca duvide do meu amor por você. Sejam quais forem as circunstâncias, meu amor vem em primeiro lugar.
        Estou ansiosa para vê-lo com a farda da Polícia Militar. O Outro, o que está no céu, é o meu poeta preferido. Você é o meu Policial preferido. Deus sabe que não faço diferença entre os dois. Você vai continuar bem pertinho de mim. Recife não é tão longe assim. São só pouco mais de 200Km e há entre nós dois um Deus Misericordioso que nos ama.
        São 23 anos de amor, meu filho. Saber que você me ama é o que me importa.
        Geraldinho nasceu num 25 de março e você num 27 do mesmo mês.  Por pouco os dois não nasceram no mesmo dia, embora em anos diferentes      
        Peço a Deus todos os dias que você seja muito feliz na profissão que escolheu. Só lhe peço, meu filho, que cumpra o seu dever com responsabilidade; honre a farda que veste mas, em nome de Deus, não queira ser herói.
                Feliz aniversário. Parabéns, meu filho.
                                                       Sua Mãe Marisa






       



terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

VERSOS À VIRGEM DA LUZ




Mãe Santa! Mareia mãe de Deus!
A minha prece escuta com louvor
Que os meus rogos se juntem aos teus
Que a Jesus eu ame com louvor!

Maria! Que o beijo que te trago agora
Do mais profundo do meu sentimento
Sejam flores orvalhadas pela aurora
Ornamentando de céu o firmamento!

Do jardim da vida, à Virgem querida
 Ofereço um ramalhete em forma de coração
Lírios, crisântemos e uma margarida
A minha reza e a minha oração.

Maria! Maria, cheia de graça e louvor
Que tem no seu ventre virgem repleto de amor
O filho de  Deus concebeu
Maior honraria ninguém recebeu!

“Eu vi minha mãe rezando
Aos pés da Virgem Maria
Era uma santa escutando
O que a outra santa dizia!
Maria é ternura
Amor, deslumbramento
É carinho, é ventura
Sublimação, contentamento.

Maria é reza, fé e oração
Maria é a lição maior que Deus deixou
Maria é esse tudo de devoção
Maria é toda amor.

Um poeta certo dia
Recitou numa canção:
Maria, contigo enganou-se a anatomia
Es toda um coração.

Maria, Mãe de Deus, é ternura
É amor, sublimação
É carinho, é ventura é oração.
Maria é amor; é perdão;

                        Marisa Alvega
                                               Gba, 26,01.19








PARA VIVER MARIA

Para viver Maria
De pouca coisa precisa
Precisa da luz do sol
Da lua argêntea
Das estrelas, o seu brilho
No firmamento azul dos céus.
Da brisa o seu frescor!
Precisa...
Das ondas verdes do mar
Dos pássaros o seu gorjeio
Da canção das fontes
Da balada das águas
Das florestas e das matas
O verde, sempre verde da esperança.
Da beleza da rosa
Do amor que une os homens
Da criação de Deus!
Do amor que une os homens
Aproximando-os de Deus!

Marisa Alverga
Gba, 26.01.19


MINHA PRECE


        Maria criança, adolescente, Maria menina, filha de Deus e por Ele escolhida para mãe de Seu Filho santo!
        Maria Mater Dolorosa, que recebeu dos braços de uma cruz, aquele que seria o Redentor do mundo, um filho amado.
        Maria que tudo aceitou, sem revolta, com resignação, com amor.
        A ti eu peço, Mãe e Rainha, Aparecida, Padroeira do Brasil, não esqueça o seu povo, a sua gente. Iluminai os nossos governantes para que pensem mais no povo do que em si mesmos. Livra-nos do espectro da fome, do monstro do desemprego; livra-nos do desespero que leva à violência, cada vez mais violenta, que não respeita o 4º, nem o 5º, nem nenhum dos Mandamentos.
        Salvai Guarabira, pois o Brasil começa aqui, na soleira da minha porta e certo ou errado, é a minha Pátria.





Marisa Alverga
Gba, 26.01.19






Sonhos



Certamente no céu há um estádio de Futebol melhor que o Maracanã, não fora assim não estariam lá tantos ídolos, como Heleno de Freitas, Carlos Alberto Torres, Garrincha, Nilton Santos, Djalma Santos, Didi, o Capitão Beline, Domingos da Guia, Leônidas da Silva –O diamante Negro-. Para só citar alguns. E é Nele, nesse Estádio, quer denominamos paraíso, que estes ídolos estão perfilados, cantando o Hino da Eternidade, para receber quase todo um time de futebol, formado por adolescentes, contratados para jogar no time de Deus.
Claro que eles não esperavam ser convocados tão cedo. Sonhos se interromperam e não diremos que se transformaram em pesadelo por que jogar com essa plêiade que apresentamos acima, convenhamos, é um privilégio.
A princípio tem muito o que aprender, mas com o tempo se igualarão aos mestres podendo superá-los.
Alguns de nós, com certeza, terão oportunidade de vê-los jogar.
No céu há também torcedores de diversos times como Flamengo, Botafogo, São Paulo, Fluminense transformados agora em torcedores do Deus Futebol Clube.                 
Deus gosta tanto de futebol que levou Charles Miller para organizar das Peladas aos campeonatos, ás Copas.
Nada disso, porém, é consolo para as mães que aqui ficaram e sei disso por experiência própria e por isso estou de luto, não apenas pelo FLAMENGO, do qual sou torcedora doente, incurável, sem esperança de salvação, haja o que houver; estou de luto pelo sonho interrompido desses dez jovens que aspiravam voos mais altos e que o destino, ou seja lá que nome tenha, interrompeu e eles nada puderam fazer; estou de luto pelos sonhos das mães que abdicaram do prazer de conviver com seus filhos para sonharem os sonhos deles; estou de luto pelos sonhos desses adolescentes que volatizaram numa madrugada sombria e sem sonhos; estou de luto pelo flamengo, que sonhava o sonho desses jovens.
Adeus, jovens atletas que tão cedo retornaram a casa do pai. Ele, certamente, tem melhores planos para vocês.
GBA, 09.02.19
Marisa Alverga

quinta-feira, 11 de outubro de 2018


                                                    DIA DO IDOSO


                Um grupo de adolescentes, fez-me ontem um convite para festejar com eles, o Dia do idoso, o que muito me honra, até porque quem não fica velho, morre jovem.
                Não há muito o que dizer, enfatizo, porém, que não se nasce “idoso”,  mas é necessário que se viva a vida fase a fase; se criança, seja criança, brinque, ria, coma guloseimas na hora do almoço e prometa a sua mãe que isso não se repetirá e amanhã faça de novo e nisso não há nenhum laivo de maldade, apenas, criancice; depois, surge a adolescência, a idade fagueira onde tudo é cor de rosa, e não só a terra é azul, como o Planeta inteiro aderiu à cor do céu  para pintar a vida. É a idade em que surgem surgem  os flertes, os namoricos, a descoberta do corpo, as Universidades, incluindo-se os FIEIS e similares, a que, na maioria das vezes, se é obrigado a aderir, pois a isso o Sistema nos obrig; e isso , sem muita preocupação se não a necessidade de uma graduação para driblar as dificuldades e percalços da vida, dali partindo para uma nova fase, a da responsabilidade, aqui inclusos os concursos, a luta para alcançar um lugar ao sol  ingressando, então na fase a da realização profissional, do  casamento e essa é a penúltima fase, porque a última é o encerramento da vida.
                Chegamos, enfim, à palestra a que nos propomos, a 3ª Idade e quando me dizem, a título de consolo, penso eu, repito que melhor idade é 15, 18 anos  e  não oitenta. Permitam-me, agora, divagar um pouco. Certa vez, num programa de Televisão, o apresentador perguntou a Jorge Amado, o que ele achava da velhice e o grande escritor respondeu, com todas as letras: é uma bosta!
                Discordo dele, até certo, mas entendo o seu desabafo, acrescentando que cada idade  deve ser vivida de acordo com a propria idade. Certa  vez, assisti, no Rio de Janeiro, a um Pastoril, onde mulheres com oitenta anos vestiam-se como se tivessem quinze, cheias de lacinhos de fitas, saias bem curtinhas, adolescentes, enfim. Certo que era um Pastoril, mas as pastoras não precisavam ser ridículas.
                A velhice, como  todas as outras fases da vida pode ser rica, não só de conhecimento. Por exemplo, NÃO HÁ VELHICE NA ÍNDIA: Ali o idoso é respeitado, quase venerado. Afinal, chegar á  velhice é um privilégio.
                Assisti esta semana ao Jornal Nacional uma cena revoltante. Não sei o porquê, mas um idoso de 93 anos, foi insultado e empurrado com tanta violência, por um Segurança que caiu no chão. Ao levantar-se, chorando, ele sussurrou com tristeza: ainda me chamou de ladrão!  
                Cenas como esta são vistas diariamente, na nossa sociedade. E nem precisa ser num Banco, pois filhos batem nos pais e até matam e no dia dos pais recebem o indulto de ir visitar os pais. Eu me pergunto: No cemitério, para onde os Mandou?
                Outro dia  estive em determinada Repartição, aqui mesmo em Guarabira e após uma hora e quarenta minutos sem ser atendida, fiz-me de doida – o   que não fica longe da verdade, diga-se de passagem -, chamei o guarda e perguntei: O sr. Sabe ler? Sei, sim. Ah, por favor, eu sou analfabeto. O sr. Poderia ler essa placa para mim? Ele inocente, sem atentar para a minha pilhéria disse: PRIORITÁRIO – São todas as pessoas  maiores de 60 anos...etc e tal. Nesse ponto, mandei-o parar e tratei de ir embora e o coitado: pra onde a sra.
vai? E eu, vou a todas as rádios de Guarabira, dizer que vocês não respeitam os meus direitos. Ah, foi um Deus nos acuda, veio Gerente e funcionários me atender e só faltaram me colocar no braço.
                Estou fugindo um pouco do foco principal, para acrescentar as boas coisas da 3ª Idade:
1ª – quem não fica velho, morre jovem, repetimos;
2ª – ficar velho não significa se entregar às traças; se o idoso ocupar sua mente, tornando-se uma pessoa produtiva, o alzaime jamais o pegará;
3ª – quem disse que o idoso não pode ir às festas, divertir-se, tomar uma cervejinha gelada com os amigos, contar e rir de umas boas piadas;
4ª – ser avó é a coisa mais gostosa do mundo – por isso se diz que ser avó é ser mãe duas vezes: na primeira vez, temos o dever, a obrigação de educar, na segunda temos só a obrigação de amar nossos netos; educar é com os pais.
                A propósito, uma criança de oito anos escreveu uma redação onde dizia: Avó é aquela mulher que não tem filhos e por isso gosta dos filhos dos outros.
                A outra disse: quando eu crescer quero ser avó.
                Outras disseram: As rugas são o lugar onde antes havia risos. As avós nunca dizem: sai daí...
                As avós usam óculos e às vezes conseguem até tirar os dentes.
                Nem sempre tudo são flores, mas nós, os idosos, temos que ser mais forte que as dificuldades,
Que os obstáculos cuidar de nós mesmos, não depender de ninguém. Costumo dizer que não vim ao mundo para ser vencida, vim para vencer.
                Para encerrar, deixo uma mensagem um tanto quanto verídica, um tanto quanto engraçado:

QUANDO ME TORNEI INVISÍVEL

“OJá não sei em que data estamos. Lá em casa não há calendários e na minha memória as datas estão todas misturadas.
Me recordo daquelas folhinhas grandes, uns primores,
ilustradas com imagens dos santos
que colocávamos no lado da penteadeira. Já não há nada disso.
Todas as coisas antigas foram desaparecendo.
E sem que ninguém desse conta ,eu me fui apagando também...


Primeiro me trocaram de quarto, pois a família cresceu.
Depois me passaram para outro menor ainda
com a companhia de minhas bisnetas.
Agora ocupo um desvão, que está no pátio de trás.
Prometeram trocar  o vidro quebrado da janela,
porém se esqueceram, e todas as noites por ali circula um ar gelado
que aumenta minhas dores reumáticas.
Mas tudo bem...

Desde há muito tempo tinha intenção de escrever,
porém passava semanas procurando um lápis.
E quando o encontrava, eu mesma voltava a esquecer
onde o tinha posto.
Na minha idade as coisas se perdem facilmente:
claro, não é uma enfermidade delas, das coisas, porque estou segura de tê-las, porém sempre desaparecem.

Noutra tarde dei-me conta que minha voz
também tinha desaparecido. Quando eu falo com meus netos
ou com meus filhos, não me respondem.
Todos falam sem me olhar, como se eu não estivesse com eles,
escutando atenta o que dizem.
As vezes intervenho na conversação, segura de que o que vou lhes dizer
não ocorrera a nenhum deles, e de que lhes vai ser de grande utilidade.

Porém não me ouvem,  não me olham ,não me respondem.
Então cheia de tristeza me retiro para meu quarto
e vou beber minha xícara de café.
E faço assim, de propósito,
para que compreendam que estou aborrecida,
para que se deem de que conta que me entristecem e venham buscar-me
e me peçam perdão …Porém ninguém vem....

Quando meu genro ficou doente,
pensei ter a oportunidade de ser-lhe útil, lhe levei
um chá especial que eu mesma preparei.
Coloquei-o na mesinha e me sentei a esperar que o tomasse,
só que ele estava vendo televisão e nem um só movimento
me indicou que se dera conta da minha presença.
O chá pouco a pouco foi esfriando…e junto com ele, meu coração...

Então noutro dia lhes disse que quando eu morresse
todos iriam se arrepender.
Meu neto menor disse: “Ainda estás viva vovó? “.
Eles acharam tanta graça, que não pararam de rir.
Três dias estive chorando no meu quarto,
até que numa manhã entrou um dos rapazes
para retirar umas rodas velhas e nem o bom dia me deu.

Foi então quando me convenci de que sou invisível...
Parei no meio da sala para ver,
se me tornando um estorvo me olhavam.
Porém minha filha seguiu varrendo sem me tocar,
os meninos correram em minha volta,
de um lado para o outro, sem tropeçar em mim.

Um dia se agitaram os meninos, e me vieram dizer
que no dia seguinte nós iríamos todos passar um dia no campo.
Fiquei muito contente. Fazia tanto tempo que não saía
e mais ainda ia ao campo!
No sábado fui a primeira a levantar-me.
Quis arrumar as coisas com calma.
Nós os velhos tardamos muito em fazer qualquer coisa,
assim que adiantei meu tempo para não atrasá-los.
Rápido entravam e saíam da casa correndo
e levavam as bolsas e brinquedos para o carro.

Eu já estava pronta e muito alegre,
permaneci no saguão a esperá-los.
Quando me dei conta eles já tinham partido e o auto desapareceu
envolto em algazarra, compreendi que eu não estava convidada,
talvez porque não coubesse no carro...

...Ou porque meus passos tão lentos impediriam que todos os demais
caminhassem a seu gosto pelo bosque.
Senti claro como meu coração se encolheu e a minha face ficou tremendo
como quando a gente tem que engolir a vontade de chorar.
Eu os entendo, eles vivem o mundo deles.
Ríem, gritam, sonham, choram, se abraçam, se beijam.
E eu, já nem sinto mais o gosto de um beijo.
Antes beijava os pequeninos, era um prazer enorme
tê-los em meus braços, como se fossem meus.

Sentia sua pele tenra e sua respiração doce bem perto de mim.
A vida nova me produzia um alento e até me dava vontade
de cantar canções que nunca acreditara me lembrar.

Porém um dia minha neta Laura, que acabava de ter um bebê
disse que não era bom que os anciãos beijassem aos bebês,
por questões de saúde...

Desde então já não me aproximo deles,
não quero  passar- lhes algo mal por minhas imprudências.
Tenho tanto medo de contagiá-los !
Eu os bendigo a todos e lhes perdoo, porque...

“Que culpa têm os pobres de que eu me tenha tornado
i n v i s í v e l ?”
                           
                                               Muito obrigada e um conselho: ame os seus velhinhos, sejam pais, avos ou um simples desconhecido. Aprenda com eles e sejam verdadeiros homens e amando também  o seu país. Certo ou errado, o Brasil é a sua pátria.
                Guarabira, 02 de outubro de 2018
                                                     
                                                                         Marisa Alverga


domingo, 26 de agosto de 2018


Dia do Soldado

 Admiro o Soldado brasileiro e até tenho um filho desejando integrar a classe policial. Impossível viver sem a participação do soldado em nossa sociedade e aproveito para parabenizá - los pelo seu dia. No entanto, 25 de agosto para mim não significa apenas Dia do Soldado. É muito mais do que isso. Hoje, por exemplo, foi o dia, há 36 anos, que você me deixou, atendendo ao chamado de Deus e partiu para a eternidade, sem adeus ou até logo. Simples, assim, como se simples fosse me deixar sem explicação.
            Sei que você não teve opção. Não foi decisão sua, pois não lhe cabia decidir. Foi do céu que veio a ordem, foi de Deus a decisão. Ele que tinha planos para você, bem diferente dos meus, como me disse um dia D. Marcelo, diferentes e melhores.
            Se eu aceitei pacificamente essa decisão? Não, não, meu filho. Você me conhece. Quando Deus levou você sabia que eu não aceitaria essa decisão calada. Não tenho vocação para santa. Esbravejei o quanto pude, derramei todo o fel da minha dor. Chorei tanto que meus olhos fecharam e durante três meses não conseguia enxergar nada. De lágrimas invadi meu coração.
            Se a dor passou? Que nada, o tempo apenas amenizou a dor da saudade. Nesses trinta e seis anos, não se passou um dia sem que não pensasse em você. Sempre que estou escrevendo, parece-me vê-lo ao meu lado com as suas ideias inovadoras. Vamos publicar uma coletânea? Tem tantos poetas em Guarabira! Vamos fazer um Festival? E as ideias iam surgindo e eu acabava me empolgando e as coisas nascendo.
            Ah! Ainda não lhe disse, mas a sua Toca está hoje nos cinco continentes e por causa dela você e eu temos poemas publicados nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Espanha, na Grécia, Na China, no Japão, na Bósnia, entre outros países.
            Durante dez anos fui diariamente ao cemitério. Rezava, conversávamos e eu chorava. Havia quem me criticasse, mas nunca dei atenção a críticos. Aliás, você alguma vez viu um crítico ser homenageado? Eu não conheço nem mesmo uma ponte com o nome de algum deles. Continuo me lixando para eles.
O normal, são os filhos enterrarem os pais. Não os pais enterrarem um filho. Os desígnios de Deus, porém, só Ele entende. E não nos cabe questionar. Há muito desistir de querer saber porquê.
Adeus, meu filho.

 PESADELO

                          Estavas no caixão sereno e lindo
                          Aureolada a fronte, o olhar incerto
                          Estranho leito de flores coberto
                          Mais parecias um anjo dormindo.

                                     Fiquei ali o teu sono a embalar
                                     Naquele doce “dorme-dorme, filhinho”
                                     Eu cantava pra você, Geraldinho
                                     Uma doce canção de ninar.

                      De repente, a dor, a saudade, a revolta
                      Esqueci a canção de ninar
                      Cantei o amor, esqueci de rezar     
                       E fiquei a esperar tua volta

                                     E me lembrei do porquê da revolta
                                     Da minha dor e também da saudade
                                     É que estando na eternidade
                                     Nem mesmo Deus pode me dar você de volta.

                                                                             Sua Mãe,
                                                                                  Marisa Alverga





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