sábado, 10 de junho de 2017

                                                                                                     “Ninguém morre enquanto                                           permanece  vivo no coração
                                                                              de alguém”

À uma amiga que partiu primeiro:

Minha querida Iaci,

        A amizade não conhece tempo nem distância  e esta assertiva é tão verdadeira que há anos não  nos víamos, mas  nem o tempo nem a distância foi capaz, sequer, de arrefecer os laços que nos uniam.
        Nos idos de 1969, precisamente  11 de novembro daquele ano , trabalhamos no antigo INPS. É verdade que não vivíamos uma na casa da outra, mas havia sempre um ombro  para as nossas confidências.
        O tempo passou e a vida nos separou. Havia apenas 90Km entre nós, mas foi o suficiente para que durante algum tempo sequer nos falássemos, mas  de repente senti a vontade incontrolável de vê-la, falar-lhe, abraçá-la, mas não sabia como fazê-lo e então  sem nenhuma  premeditação encontrei-me com uma amiga comum que me disse o número do seu celular. Liguei e não foi você quem atendeu e quando pedi para falar com você, veio a surpresa; o seu esposo disse que você havia partido. Não querendo entender a verdade perguntei: como partiu? Está no céu, ele respondeu.
        Dizem que a Morte é uma grande Mestra, mas confesso que nada aprendi com essa megera. Sei, apenas que o Céu está em festa, porque você é mais uma filha que retorna à Casa do Pai. E daqui, da minha SAUDADE, faço uma prece  ao Deus imortal:
        Senhor Deus, sabemos todos que um dia teremos que voltar ao primitivo lar, mas a separação dói e não há bálsamo capaz de suavizá-la e sem opção, só nos resta aguardar o reencontro e valemo-nos da imaginação para divisar a eternidade como o paraíso que é: cercado de flores, onde predominam as hortências e as violetas, com as folhas em forma de coração.
        Poetas entoam as suas canções, espalhando o amor entre as saudades que por ali proliferam, acompanhados pelos violinos que vibram as suas cordas, embalando os sonhos dos que ai estão. O parnaso, com certeza, é na Mansão Celestial.
        IACI é uma filha que atendendo ao chamado do Pai para o Céu retornou. Estamos certos de que será feliz, porque ai ela não sentirá frio, nem dor; a calúnia e a inveja nunca mais a alcançarão e Maria, a mãe por excelência, será sua eterna companheira na eternidade de Deus.
        A/Deus, minha amiga. Até um dia! Quando? Sabe Deus.


                                                       Marisa Alverga     


Guarabira, 09 de junho de 2017