Ao meu pai João Bezerra (in memorian)
No silêncio das noites, eu me encontro com você. Falamos de tudo: da dor, da vida, do amor e do perdão, da traição e do traidor.
Você me alerta sobre os falsos amigos, quanto ao perigo a que nos expomos quando lhes confiamos os nossos segredos, falamos dos nossos planos, das nossas idéias, dos nossos ideais e até das nossas esperanças! É bom nos resguardarmos um pouco, você enfatiza.
Quando estou triste, você me mostra a Natureza, os rios, os mares, o riacho que canta, as florestas, as flores nos jardins, a beleza do céu, das nuvens, do firmamento, da lua, do sol e das estrelas!
Se a saudade me invade, você me leva ao Olimpo e eu me embeveço com a paz do pessegueiro em flor, embalando a humanidade na voz das Musas.
Estando alegre você me conta do Parnaso, me fala de meu filho, que faz dueto com Castro Alves e Álvares de Azevedo, e me seca as lágrimas teimosas que umedecem a saudade de meu filho!
E entre uma saudade e uma lembrança, você me fala de caráter, de dignidade e me alerta sobre o perigo da calúnia, da inveja, da vingança e enaltece o perdão. Você me lembra que liberdade rima com responsabilidade e que “a indulgência faz parte da justiça”.
Sobre o patriotismo você não me deixa esquecer que o Brasil começa aqui, na minha calçada, na minha casa, na minha cidade, na minha Paraíba de Augusto dos Anjos, enfatizando que o amor à Pátria nada tem a ver com “ mensalões ou mensalinhos, com dinheiro na cueca, gordas propinas, dólares em maletas” ou similares, citando o poeta: Certo ou errado, é o meu país”!
Herança você me deixou, sim, quando me matriculou na escola da vida, ensinando-me que ao sol ou sem ele, eu teria que conquistar o meu lugar no mundo, sem que para isso fosse preciso pisar o meu irmão.
Que pena, meu pai! Não conheci seu corpo, só a sua alma me foi mostrada! E eu o amei além do tempo e além da vida.
Obrigada, meu pai, pelas lições de civismo, de dignidade, de cidadania que você me deu com o seu exemplo.
A/Deus, meu pai. Até um dia! Quando? Sabe Deus!
Marisa Alverga
RESTOS MORTAIS
A meu pai João Bezerra ( in memorian)
Restos mortais...
Sombras de um corpo
Gasto pela vida
Que retorna ao pó
Para nunca mais...
Sem nome,
Sem rosto,
Sem presente,
Sem passado...
Como futuro
A vida eterna,
O respeito dos vivos
E nada mais.
Um dia serei também
Como tu, meu pai,
... Restos mortais.
Marisa Alverga
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